EDITORIAL

VEM AÍ O FESTIVAL DE LICENCIOSIDADE

O carnaval brasileiro é famoso mundialmente por  sugerir um erotismo solto que, somado carnavalao clima tropical,  incentiva o streap tease praticamente  total, às vezes com simples tapa sexos fazendo as vezes de roupa.  Será que podemos chamar esse triângulo de pano de roupa ????
Essa tendência de descobrir o corpo e usar pintura e adornos evidencia uma cópia de ritos indígenas e mostra que não nos afastamos das origens tribais. Seguimos com a argola presa em nossos narizes…

Sem noção para definir o limite entre  liberdade e  licenciosidade, algumas mulheres – especialmente as que desfilam em blocos de escolas de samba – extrapolam na nudez, em busca dos seus quinze minutos de fama.  Ao invés de sensualidade, observa-se forte influência da sexualidade na forma de vestir – ou melhor dizendo –  de despir para os dias de folia.

Antigamente, o Carnaval era considerado uma festa rica, com os foliões e folionas apresentando-se com esmeradas  fantasias e cabeças luxuosas. Com o tempo, porém,  esse costume foi perdendo substância, o que é lamentável,   porque vestir uma fantasia ou viver um personagem funciona como catarse para os humanos.

carnaval1Ultimamente, a  nudez nos dias de reinado do Momo   vem sendo  repetitiva ao extremo e, como tal, acaba se tornando  enjoativa e alvo de críticas. O corpo cada vez mais exposto demonstra uma supervaloriozação do aspecto exterior, enquanto que  o interior fica relegado a segundo plano.

Há até  que diga que os Carnavais dos tempos modernos ganharam um pouco o aspecto de feiras, apresentando mulheres lindas e de físico escultural como se fossem mercadorias, simples objetos de consumo ou – pior – carnes superexpostas para a avaliação do público masculino.

DEISE SABBAG

EU DIANTE DE UM  “ENXAME” DE BLOGUEIRAS

blogParafraseando um ex-presidente, diria que nunca antes na história deste país vemos tantas pessoas criando e mantendo blogs, especialmente os que versam sobre gastronomia,  moda e beleza.

Parece que o  sonho da muita gente  é criar um blog de sucesso ou  então  ser um youtuber com milhões de seguidores. Para tanto, basta disposição e um celular disparando selfies…

Neste momento, por exemplo,  ocorre um “enxame” de blogueiras, e isso pude constatar durante a recém encerrada Beauty Fair (feira de beleza), realizada no Expo Center Norte, blog5em São Paulo. Primeiro, filas consideráveis  para as donas de blogs se cadastrarem para o evento.  Depois, fileiras  de virar quarteirão para as ditas cujas ingressarem nos espaços de blogueiras (que as grandes marcas prepararam para recebê-las), com espera de até uma hora musicada pelo burburinho e gritinhos de excitação de quem quer  ver de perto e testar os lançamentos.

Parece que criar um blog virou um escape para quem não tem uma profissão definida  ou um emprego formal. Jornalistas de verdade, com matrícula e tudo o mais, ficam  de lado, acalentando o silêncio de suas mentes, blog1observando os produtos apresentados pelos expositores e, claro,  pasmando com o movimento frenético das  novas autoras de blogs, geralmente bem jovens e no auge da energia.  Fato  que lhes permite enfrentar a odisseia de uma feira portentosa como essa, correndo de estande em estande e segurando pesadas sacolas contendo releases, amostras  e brindes.

A propósito desta polêmica, lembro que Godfrey Deeny, editor de moda do jornal francês “Le Figaro”, já textualizou  que “blogueiros (as)  não têm muita cultura de moda”. E ele foi além, sustentando que,  na moda, por exemplo – e eu pediria licença para acrescentar também o segmento de beleza -,   blogueiros viraram uma espécie de fanzine, ou seja,  algo blog2como  representantes das grandes marcas. “Ganham  bolsas,  roupas, cosméticos, viagens, mas jamais criticam. Talvez um dia a gente vá ver um verdadeiro crítico de moda no universo  blogueiro, mas isso ainda não existe”, analisou Deeny.

VOLATILIDADE

Para fazer justiça, é preciso lembrar que, hoje, graças aos avanços da rede, notícias, matérias, comentários, imagens,  lançamentos, tudo isso é marcado pela necessidade de rapidez,  mas também pela perecidade vertiginosa.  Como dominam melhor que os mais velhos os segredos da net e da cultura digital,   as jovens e frenéticas blogueiras  ganham de longe, dos profissionais  mais antigos (e arriscaria dizer, às vezes  com mais  cultura de moda),   no quesito  ligeireza,   ao acompanhar as velozes mudanças  da moda.

Vale lembrar que o (a)  blogueiro (a) coloca a sua blog3visão pessoal sobre a moda e beleza  do ponto de vista de quem usa. Na maioria dos casos, o   blog  é reflexo do universo pessoal de seu autor, do que ele testa e gosta dentre as tendências, de suas escolhas particulares   e  dos lugares que  frequenta. Os tais   looks do dia só mostram o que ele aprova  e o que veste ou utiliza com prazer. Pseudos-celebridades incensados pela mídia, muitos são convidados – a peso de altos cachês – para fazer breves aparições em eventos ou festas de lançamentos.

Hoje os blogs – e há alguns com zilhões de seguidores –  são influenciadores poderosos e até  podem inspirar as  tendências que vão ganhar mais força no mercado. A  criatividade, que muitos acham que inexiste nesse universo dos blogs, pode ser visualizada  no trabalho de styling na produção dos  looks. No geral, a  imagem fala mais alto;  o texto curto pouco acrescenta. E mais: a  informação não é para todos;  ela é direcionada para quem tem o mesmo blog4biotipo, a mesma faixa etária   e as mesmas preferências da blogueira. O resto do mercado fica a ver navios…

Claro que toda regra tem exceção. Há blogs pobres em informação, mas – justiça seja feita – também existem alguns que trazem bom   conteúdo.  No entanto, aí  vou parecer um dinossauro implicante, mas vamos lá: são raros os capazes de fazer uma crítica honesta  ao produto ou ao  lançamento que divulgam, até porque ganham presentes ou  publieditoriais pagos em troca dos posts que colocam no ar.

DEISE SABBAG

RIR É O MELHOR REMÉDIO PARA DRIBLAR IMPREVISTOS!

edit2Opa…  Até top models  famosas já desabaram nas passarelas por conta dos saltos altíssimos e difíceis de se equilibrar sobre eles. Mas – olha o exemplo – elas se levantam impávidas  com um sorriso no rosto e voltam a desfilar.

Imprevistos podem ocorrer a qualquer hora e com qualquer pessoa. Nessas  situações delicadas  é preciso recorrer à  diplomacia e demonstrar boa dose de auto segurança.  Afinal, Oscar Wilde já disse que “o medo do ridículo é  justamente o que nos faz cair nele”.

Poeditucas pessoas reparam quando a roupa ou mesmo o acessório que usamos está em perfeita ordem .   No entanto,  se por um “ acidente de percurso ” uma costura se abre,  um botão cai ou um salto de sapato se quebra,  nossa figura torna-se bem mais visada e comentada.

Diante de  possíveis embaraços,  é preciso talento tirá-los de letra . Felizmente, senso de humor e naturalidade  não faltam para a maioria das pessoas  na hora de enfrentar situações constrangedoras.

A toda hora podemos presenciar cenas como estas:

quedas engraçadas que deixam os espectadores com vontade de rir;

roupas enlameadas por motoristas descuidados que trafegam sobre as poças em dias de chuva;

edit4 barra de saia  descosturada por um pisão em falso;

costura da  cava que se abre ao  movimento d o braço;

café ou outra  bebida  respingada em  blusa ou saia clara;

edit3calça comprida ou  bermuda    com o fundo descosturado quando se  abaixa para apanhar algo do chão;

sair de casa com a blusa ou camisa no avesso;

zíper que dá defeito ou  emperra na hora e lugar  errados.

edit5braguilha aberta – olha o “passarinho”;

bijuterias que arrebentam espalhando  todas as pedrinhas no chão;

meias-calças que  desfiam formando grandes  rombos;

salto edit8alto que  se solta ou se parte ao meio;

sapatos de solas coladas que se desmontam quando molhados.

Uma boa saída para tais embaraços  é respirar fundo e, mesmo  não achando  graça,  tentar  forjar um sorriso de anúncio de  dentrifício.  Nesses momentos, podemos ser mais admirados (as) pelo comportamento bem humorado do que pela aparência da roupa ou acessório.

Claro que existem truques  para driblar certos  imprevistos. Por exemplo,  no caso de rasgo na roupa,   uma malha ou edit7um lenço podem ser estrategicamente  amarrados no local onde a peça foi avariada.  Já quando a meia ou o calçado dá pane,  pode-se tirá-los dos pés  e caminhar linda e formosa, com o nariz empinado,  e … descalça.

Atenção:  nessa década, pródiga em modismos descartáveis, precisamos treinar nosso lado de   artista.  Isso porque, mais do que nunca,   temos chances de  perder o eixo de direção da classe de repente, já que  algumas confecções  descuidam-se da qualidade e da matéria-prima utilizada  e sobretudo do acabamento das roupas e acessórios.

Enfrentar os acidentes   sem perder a pose ou tentar contorná-los da maneira mais prática e rápida possível  é um belo teste para avaliar a quantos anda o   nosso  grau de personalidade e auto estima .

DEISE SABBAG

 

É MODA OU CIRCO DOS HORRORES ????

Se, como disse Anatole France, a moda espelha o seu tempo, as coisas nunca estiveram tão pavorosas.  O desleixo com o vestuário incomoda muita gente. Mas, arrepiem-se: EDIT-3EDITtem mais modismos horrendos, como a moda erótica-sexual, pregando  que moderninho é andar com o bumbum empinado, peito pra frente e barriga de fora. Passo mal só em pensar nas roupas justérrimas ou decotadésimas, mostrando o que pode e o que não pode, mais trágicas ainda quando  coordenadas com sandálias ou sapatos de plataforma com pinta de  calçados ortopédicos ou com, as tais sandálias gladiadoras – um novo circo de horrores que inventaram para enfear as pernas femininas.

Diz a lenda que o costureiro Dener, que vivia numa redoma de seda pura e  rendas, cercado de sofisticação e luxo por todos os lados, ao perceber que a moda estava EDIT4virando um “tudo pode” ou um “qualquer coisa serve” para cobrir as vergonhas, viu desmoronar  o seu castelo de sonhos. A partir da nova e monstrenga realidade, desenvolveu uma depressão, negando-se a sair de casa, fato  que poderia ter apressado o seu fim.

Como ele, muitos saudosistas lamentam a reviravolta na forma de se vestir que, ao apoiar-se em uma democracia, mal interpretada como total permissividade, acabou massacrando os cânones mais elementares do correto, do chique… e até do inteligente,

É pena, mas já não se vêem  mais pessoas  elegantes como antigamente. E esse adjetivo EDIT2não tem necessariamente relação com usar grifes, comprar roupas caras ou itens inacessíveis para a maioria dos mortais brasileiros, e que podem denotar ausência de iniciativa e de personalidade.

A  nova geração de consumo não viu, não  aprendeu e não entendeu  o que é elegância e, portanto, não conhece nem sabe identificar esse padrão, quanto menos adotá-lo em seu cotidiano. Na verdade, poucos sabem interpretar essa virtude e muitos a confundem com o uso de modismos ou com  a exibição desavergonhada do físico.

EDIT5Mas… o  ser elegante  não inclui apenas a roupa e complementos; o vestido de seda ou o salto alto; a grife ou a roupa importada.  Está, sim, estreitamente ligado  a quem  escolhe o que vai usar e sabe como usar o que escolhe. Isso expande o sentido da palavra para dons  interiores, e tem EDIT-6muito mais a ver com educação do que  com o vil metal.

Uma frase brilhante do costureiro italiano Renato Balestra reflete perfeitamente  como devemos mostrar, no nosso dia-a-dia, o que somos. Para ele, “a elegância, como a felicidade, não se compra, se exprime”.  E a gente não exprime esse sentimento só uma vez ou outra, mas em todos os momentos (em casa, na feira-livre, no ambiente profissional, na rua, nas reuniões sociais e festas), e isso  durante toda nossa vida.

DEISE SABBAG

DEUS NOS PROTEJA DA

SÍNDROME DE CELEBRIDADE

Vivemos em plena fase de cultura de celebridades.  Algumas pseudo-notoriedades optam pelo trabalho nada trabalhoso de opexibir o corpo. Nada fazem durante boa parte do ano,  só aparecendo em fotos glamourosas  nas redes sociais, no Carnaval (quando desfilam quase nuas) ou então quando são convidadas para posar para ensaios sexies de revistas masculinas, onde geralmente mostram frente e derrière.

O pior: vivem e sobrevivem desses expedientes e,  não raro,  usam essa superexposição dos atributos  físicos  como trampolim para se tornarem atrizes ou apresentadoras.  Dessa forma, muitas vezes acontece que o talento genuíno perde espaço para o que o escritor Arnaldo Jabor já op2chamou de “paisagem de peitos e nádegas”.

Estamos na  década de histeria de sub-celebridade. Para ser notada e se destacar,  basta postar as tais selfies, sem freios de pudor ou de moral.  Ainda bem que a maioria das ditas estrelas tem brilho efêmero.  A fama acontece fácil, mas passa rápido. Assim mesmo  vale a pena pela vaidade e pelo dinheiro.  Porque, enquanto se aninham nos braços da mídia –  como acontece, por exemplo, com algumas personagens pós reality-shows -, essas candidatas ao estrelato  recebem convites para fotos, desfiles, fazer presença em eventos, apresentar programinhas de tevê e  principalmente tirar a roupa  para ensaios sensuais e até pornográficos.

Avaliada por psicólogos e sociólogos como importante síndrome dos anos 2000, a fama é perseguida com unhas e dentes cada vez mais afiados. Hoje, poucas pessoas se contentam em ficar na posição de  seres   comuns ou anônimos.  Para serem notadas e notáveis, algumas jovens até se coisificam ou se vendem como produto.  E daí vivem de reformar e ornamentar só o exterior … com regimes, malhação pesada, cirurgias, botox e…  haja silicone para peitos e bundas.

A beleza virou produto de fábrica, quase tudo é artificial. As pessoas se submetem sem titubear aos padrões estipulados.Uma das estratégias das aspirantes ao pedestal da glória é trocar de parceiro (ou parceira)  como quem muda de roupa. E namorar famosos ou ricos, mesmo que sejam feios ou  velhos. Isso gera notícia. Outro truque  é plantar fofocas que depois são desmentidas, com o nome e as fotos aparecendo  mais  vezes na mídia.

op1As celebridades instantâneas  geralmente fazem caras e bocas, reclamando do assédio dos paparazzis, rodam a baiana, ameaçam  processá-los, mas se eles deixam de persegui-las ficam enlouquecidas. É que o ostracismo significa o lusco-fusco de uma estrela, uma vez que a memória dos brasileiros  é curta e, sem exposição na imprensa, não há fama que resista.

Como bem lembrou o costureiro italiano Renato Balestra, “o corpo virou o veículo soberano, sem o qual parece que não se pode interessar a ninguém. Sempre exposto, exibido, às vezes aviltado, mas sempre exaltado”.   Nesse momento, que espero que seja passageiro, a juventude se esquece que o interior também precisa ser aprimorado.  Afinal, mesmo a mais linda capa não tem tanto valor quando o  conteúdo do  livro tem pouco a dizer.

DEISE SABBAG

 

VESTIR MUITO NÃO CONTA

Incógnitas da elegância: há quem adote roupas e acessórios caríssimos e nem assim consegue “ficar bem na foto”. Em contrapartida, outros recorrem a peças simples, de preços acessíveis, e mesmo sem gastar quase nada acabam refletindo uma imagem  elegante. A explicação?  Provavelmente, o chique provém de uma chama interior; é uma qualidade feita de um buquê de certezas e segurança, e que emana de dentro para fora.

elegancia-1Sendo o  tal do garbo  fundamentalmente baseado em correção e apuro,  incluindo  gestual e atitude diante das pessoas e do mundo, todo cuidado é pouco com os excessos ou empolgações. Primeiro é preciso saber se portar, depois saber se trajar. De acordo com Kenzo Takada, estilista japonês, que iniciou o acesso da roupa de vanguarda em  Paris, “quem se veste muito, pensa que está construindo sua elegância, mas na verdade está destruindo-a, porque dá a impressão que carrega a roupa como um fardo”.

Na verdade, o conceito elegância começa com uma escolha acertada (onde predomina a máxima do “menos é mais”) e transcende os limites do vestuário e acessórios, alcançando o terreno dos gestos, postura,  andar, boas maneiras e comportamento no cotidiano e em momentos sociais.  Resumindo, cada pessoa, diante de um imenso leque de opções, escolhe adotar um modo de viver, que pode ser elegante ou não.

Como todo tipo de cultura, a da moda também exige um certo exercício de inteligência. É preciso adotar as novidades com muito critério e bom senso.  Vale evitar o que não se harmoniza com nosso biótipo ou idade, mesmo que esteja no auge da moda. Convém também fugir das loucuras e excentricidades. Como conselho prioritário, o relaxamento deve ser substituído por uma descontração que tenha classe.

Mas ter classe não significa se “montar” como se fosse uma árvore de Natal. Com uma visão de futuro fora de série, há décadas e décadas atrás, Machado de Assis já escrevia que “há pessoas elegantes e pessoas enfeitadas”. O que nos permite concluir que, desde o passado, os exageros nos adornos eram tidos e havidos como inimigos do bem vestir. Hoje como ontem, quem se produz demais, chama a atenção, mas não comove pelo senso estético.

DEISE SABBAG